Durante uma quinzena, experimentamos a frenesi causada pelas Olimpíadas de 2024 em Paris. Nesta semana, as disputas deram lugar novamente à rotina dos povos do mundo todo, gerando um certo vazio.
É uma sensação comum, pois até mesmo os menos aficionados por esportes, em algum momento, se emocionaram com a entrevista de Bia Souza dedicando a vitória à avó ou se impressionaram com a foto icônica de Gabriel Medina sobre as águas. Atletas brasileiros ostentando carisma e títulos.
Foram 20 medalhas brasileiras: 3 ouros, 7 pratas e 10 bronzes. Pela primeira vez, 60% dos pódios foram ocupados por mulheres. Agora, com o fim das Olimpíadas, resta a pergunta: o que fica para nós? Como voltar ao dia a dia?
Desde o surgimento na Grécia, os esportes olímpicos envolvem o país, emocionalmente e socialmente, com as competições. Ao torcer pelos atletas, as pessoas se conectam com suas histórias de vida e superação, o que acaba superando a mera rivalidade por títulos.
Observamos ainda o sentimento de unidade e o fortalecimento da nossa identidade nacional que os jogos afloram, pois povos ao redor do mundo se unem por um objetivo comum. Além disso, as disputas causam uma quebra de rotina. Cidadãos voltam seus olhares para as modalidades que despertam a competitividade tão inata no ser humano.
Retorno na cultura e investimentos
Além da herança emocional, as Olimpíadas na França devem influenciar o futuro do esporte no Brasil, especialmente no que diz respeito à cultura e aos investimentos.
Vale destacar os movimentos de Rebeca Andrade, que surtiram um efeito imediato na ginástica. O Ginásio Bonifácio Cardoso, em Guarulhos, onde a medalhista treina, e o Instituto Hypólito, no Rio de Janeiro, tiveram uma explosão nas inscrições de jovens.
Já no campo político, os desdobramentos das disputas foram mais polêmicos. Na última semana, o presidente Lula (PT) assinou a Medida Provisória que concede aos medalhistas a isenção de impostos sobre alguns prêmios olímpicos. O objetivo, segundo a MP, é valorizar e reconhecer o esforço realizado por atletas de alto rendimento.
Por conseguinte, o Bolsa Atleta (programa de auxílio a atletas) chegou a 9 mil esportistas contemplados neste ano, segundo o Ministério do Esporte.
O fato é que, mesmo com os conhecidos desafios de investimento e infraestrutura, o término das disputas de 2024 deixa a expectativa por melhorias em políticas de incentivo ao esporte. Ao elevar o prestígio nacional no cenário esportivo internacional, espera-se que o Brasil atraia investimentos que impulsionem as novas gerações de atletas.
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