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Sexta-feira, 25 de Setembro 2026
Política

Julgamento de Bolsonaro e CPMI do 8 de janeiro

Ex-presidente foi acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação

Redação
Por Redação
Julgamento de Bolsonaro e CPMI do 8 de janeiro
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Nesta última quinta-feira (24/06), a política brasileira presenciou dois eventos importantes, o depoimento à CPMI do 8 de janeiro de George Washington de Oliveira Sousa, que está preso e foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão por envolvimento no caso da bomba no aeroporto de Brasília, em dezembro de 2022; e o julgamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, condenado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, que analisa a inelegibilidade de Bolsonaro e de Walter Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

 

A CPMI

George Washington esteve na CPMI na condição de investigado, e por isso, tinha prerrogativa do direito ao silêncio, para não se autoincriminar. O investigado, portanto, se reservou ao direito de permanecer em silêncio durante a maior parte dos questionamentos feitos pelos deputados e senadores. Washington, entre suas poucas falas, disse que o atentado não tem relação alguma com a invasão dos Três Poderes e com a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal, que ocorreu no dia 12 de dezembro. “O dia 12 não tem nada a ver com o dia 24 (atentado no aeroporto), nem o dia 24 tem a ver com o dia 12 e o dia 8”. No entanto, o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (DF), Leonardo de Castro, informou que George Washington também foi identificado pela polícia participando do dia 12 de dezembro.

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Washington revelou que havia frequentado o acampamento bolsonarista, que foi montado em frente ao quartel-general do Exército de Brasília, e comentou que existiam muitos “infiltrados”, mas não chegou a revelar como eles eram identificados.

O investigado chegou a dizer que seu depoimento apresentado à Polícia Civil (DF) e à Polícia Federal, com sua confissão, teria sido adulterado, mas não revelou quem teria realizado as alterações.

Washington negou qualquer contato com o ex-presidente Bolsonaro, apesar de um documento encontrado em seu celular, com exaltação do ex-presidente e um pedido de apoio para um movimento de contestação do resultado eleitoral.

O explosivo plantado por George Washington foi encontrado em um caminhão-tanque, com mais de 60 mil litros de querosene, perto do Aeroporto Internacional de Brasília. A bomba só não explodiu em razão de um erro técnico.

 

 

Julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro

Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), foi solicitada a inelegibilidade de Bolsonaro e do general Braga Netto, candidatos à Presidência em 2022, acusados de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, em razão de uma reunião promovida com embaixadores, na qual Bolsonaro atacou o processo eleitoral.

No julgamento, o PDT (Partido Democrático Trabalhista) acusou Bolsonaro de espalhar “desordem informacional”, que são informações que não possuem mentiras de fato, mas que são expostas de forma a causar confusão de sentidos.

 

A defesa do ex-presidente disse que o evento era um ato de governo, e que tinha o objetivo de esclarecer dúvidas sobre a transparência eleitoral, e promover um diálogo público para a melhoria do sistema eleitoral. Os advogados ainda negaram a gravidade das falas de Bolsonaro, e que o processo deveria terminar apenas com uma multa ao ex-presidente. A defesa ainda alega que as falas de Bolsonaro não influenciaram nos atos golpistas do 8 de janeiro.

 

O julgamento foi suspenso pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, em razão da apresentação do parecer do MPE (Ministério Público Eleitoral), que foi à favor da inelegibilidade de Bolsonaro (até 2030), mas contra a cassação da chapa do general Braga Netto.


O julgamento será retomado na terça-feira (27) com o voto do relator ministro Benedito Gonçalves. Em seguida, votam os ministros Raul Araújo, Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, Cármen Lúcia (vice-presidente do TSE), Nunes Marques e, por último, Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal. O processo deverá se encerrar na quinta.

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