São Paulo de Fato

Gráfica Cinelândia: 90 anos de bons serviços ao Brasil

Ela dominou o mercado da impressão de cartazes conhecidos como “lambe-lambe”

Arquivo

Tradição! Esse nome traduz a gráfica e editora Cinelândia, que foi fundada por família de imigrantes italianos na década de 30, inicialmente na Rua dos Andradas, com o nome fantasia Tipografia Napoli, depois mudou para Tipografia Paulista e por causa da Segunda Guerra Mundial, passou a ostentar o nome Cinelândia a partir de 1939.

Hoje na 4ª geração, quem está no comando da empresa é Odilon Tiacci de Souza Mello, que há 40 anos entrou na Cinelândia como Office Boy (jovens que faziam serviços de escritório e entregas nas ruas, atualmente nas mãos de motoboys). “Depois fui promovido a gerente de vendas. Quem tocava a empresa, era eu, meu avô e tio”, relembrou.

Segundo ele, a Cinelândia enfrentou vários planos econômicos, hiperinflação, quando rapidamente o dinheiro perdia o valor e os avisos de agentes da Polícia Federal, durante o Regime Militar de 1964, censurando a impressão de determinados jornais. “Até hoje, temos cópias dos memorandos que enviavam para nós”, disse.

Durante várias décadas, a Cinelândia dominou o mercado da impressão de cartazes conhecidos como “lambe-lambe”, fixados em muros e tapumes de construção anunciando as atrações das grandes casas de espetáculos e também das empresas que faziam os famosos bailes de Black Music, como Chic Show entre outros.

“Mas infelizmente na gestão do prefeito Kassab, fomos proibidos de imprimir esses cartazes. Do contrário, corríamos o risco de baixar as portas. Não teve debate para procurarmos uma alternativa. O curioso que os cartazes “lambe-lambe” ainda existem em outros países e aparece até no início da novela Malhação, exibida pela Rede Globo”, ressaltou.

O segredo da Cinelândia, na avaliação de Odilon, é o bom serviço, prestado há 90 anos. “Nós já imprimimos cartazes de shows para iniciantes, na época, como Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, folder para o primeiro show da Shakira aqui no Brasil, livros da editora do Monteiro Lobato”, enumerou.

No auge da indústria do cinema nacional, administrado pela Embrafilme, os cartazes da maioria dos filmes produzidos por estúdios fixados na região da Santa Efigênia saíram das impressoras da Cinelândia. “O Mazzaropi fez muito trabalho conosco, assim como o casal de atores Paulo Goulart e Nicete Bruno, o Antonio Fagundes, Paulo Gorgulho; na década de 40 a pintora Tarsila do Amaral, enfim a lista é imensa”, recordou.

Odilon pegou o processo gráfico das chapas de chumbo do linotipo, fotocomposição, fotolito até chegar ao estágio atual, das máquinas impressoras que fazem trabalhos com mais de 4 cores.  “Tudo para mantermos a qualidade dos nossos bons serviços, responsáveis pelo prestígio que a Cinelândia tem até hoje entre as grandes casas de espetáculos de SP e também junto a artistas famosos”, finalizou.

Investimento em tecnologia e qualificação de funcionários

Durante 50 anos, José Raphael Firmino Tiacci esteve à frente da Cinelândia, aprimorando e modernizando máquinas e mantendo a excelente qualidade das impressões. Desde 1981, Odilon Tiacci de Souza Mello é responsável pela administração, seguindo os mandamentos de José Raphael, comprando novas máquinas, investindo em tecnologia e qualificação de funcionários.

Como empresa conceituada, a Gráfica Cinelândia é associada à Abigraf (Associação Brasileira das Indústrias Gráficas), Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Sindigraf (Sindicato das Indústrias Gráficas) e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).






 

Fonte

Luís Alberto Alves/Hourpress
  • Compartilhe
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no WhatsApp

Gráfica Cinelândia: 90 anos de bons serviços ao Brasil

Luís Alberto Alves/Hourpress

Tradição! Esse nome traduz a gráfica e editora Cinelândia, que foi fundada por família de imigrantes italianos na década de 30, inicialmente na Rua dos Andradas, com o nome fantasia Tipografia Napoli, depois mudou para Tipografia Paulista e por causa da Segunda Guerra Mundial, passou a ostentar o nome Cinelândia a partir de 1939.

Hoje na 4ª geração, quem está no comando da empresa é Odilon Tiacci de Souza Mello, que há 40 anos entrou na Cinelândia como Office Boy (jovens que faziam serviços de escritório e entregas nas ruas, atualmente nas mãos de motoboys). “Depois fui promovido a gerente de vendas. Quem tocava a empresa, era eu, meu avô e tio”, relembrou.

Segundo ele, a Cinelândia enfrentou vários planos econômicos, hiperinflação, quando rapidamente o dinheiro perdia o valor e os avisos de agentes da Polícia Federal, durante o Regime Militar de 1964, censurando a impressão de determinados jornais. “Até hoje, temos cópias dos memorandos que enviavam para nós”, disse.

Durante várias décadas, a Cinelândia dominou o mercado da impressão de cartazes conhecidos como “lambe-lambe”, fixados em muros e tapumes de construção anunciando as atrações das grandes casas de espetáculos e também das empresas que faziam os famosos bailes de Black Music, como Chic Show entre outros.

“Mas infelizmente na gestão do prefeito Kassab, fomos proibidos de imprimir esses cartazes. Do contrário, corríamos o risco de baixar as portas. Não teve debate para procurarmos uma alternativa. O curioso que os cartazes “lambe-lambe” ainda existem em outros países e aparece até no início da novela Malhação, exibida pela Rede Globo”, ressaltou.

O segredo da Cinelândia, na avaliação de Odilon, é o bom serviço, prestado há 90 anos. “Nós já imprimimos cartazes de shows para iniciantes, na época, como Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, folder para o primeiro show da Shakira aqui no Brasil, livros da editora do Monteiro Lobato”, enumerou.

No auge da indústria do cinema nacional, administrado pela Embrafilme, os cartazes da maioria dos filmes produzidos por estúdios fixados na região da Santa Efigênia saíram das impressoras da Cinelândia. “O Mazzaropi fez muito trabalho conosco, assim como o casal de atores Paulo Goulart e Nicete Bruno, o Antonio Fagundes, Paulo Gorgulho; na década de 40 a pintora Tarsila do Amaral, enfim a lista é imensa”, recordou.

Odilon pegou o processo gráfico das chapas de chumbo do linotipo, fotocomposição, fotolito até chegar ao estágio atual, das máquinas impressoras que fazem trabalhos com mais de 4 cores.  “Tudo para mantermos a qualidade dos nossos bons serviços, responsáveis pelo prestígio que a Cinelândia tem até hoje entre as grandes casas de espetáculos de SP e também junto a artistas famosos”, finalizou.

Investimento em tecnologia e qualificação de funcionários

Durante 50 anos, José Raphael Firmino Tiacci esteve à frente da Cinelândia, aprimorando e modernizando máquinas e mantendo a excelente qualidade das impressões. Desde 1981, Odilon Tiacci de Souza Mello é responsável pela administração, seguindo os mandamentos de José Raphael, comprando novas máquinas, investindo em tecnologia e qualificação de funcionários.

Como empresa conceituada, a Gráfica Cinelândia é associada à Abigraf (Associação Brasileira das Indústrias Gráficas), Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Sindigraf (Sindicato das Indústrias Gráficas) e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).