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A perda de competitividade da indústria e a queda de sua participação relativa na riqueza nacional são uma das principais causas de o País ter caído oito posições, na década 2011/2020, no ranking do PIB per capita divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ressalta Cervone. Para ele, "não há como aumentar e distribuir a renda nacional quando o setor que paga os melhores salários, é gerador intensivo de postos de trabalho e responsável pelos produtos de maior valor agregado é o mais prejudicado pelos problemas internos que têm afetado a economia brasileira nas últimas décadas".
O dirigente da Fiesp/Ciesp reconhece que o fim de um de ciclo de commodities, mais um impeachment de presidente da República, a crise fiscal, a recessão subsequente e o fechamento da década com a pandemia da Covid-19, fatores apontados pelos especialistas, são fortes razões para que o Brasil tenha caído do 77º para o 85º lugar no ranking mundial do PIB per capita (US? 15.394 ante US? 14.140). "Entretanto, se nosso país não promover uma eficaz política industrial, demoraremos pelo menos mais duas décadas para recuperar as posições perdidas", alerta.
Cervone, candidato a presidente do Ciesp pela Chapa 2, nas eleições de 5 de julho próximo, explica que a indústria é o setor mais atingido pelos ônus do Custo Brasil e demais problemas que emperram o crescimento da economia nacional. "Prova disso é o estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) que revelou nossa disparidade em relação a outras nações: fabricar aqui implica R? 1,5 trilhão anual a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)". Além disso, há um desequilíbrio no pagamento dos impostos no brasil. A indústria, que representa 11,5% do PIB, paga 27% dos impostos o que onera demais o setor e reduz sua competitividade.
Esses dados, para Cervone, explicam em muito a queda do PIB per capita, pois a indústria é o setor que mais contribui para os melhores indicadores socioeconômicos, de distribuição de renda e de educação, como se observa em algumas regiões do próprio Brasil. "Mas, poderia fazer muito mais se não enfrentasse a competição desigual de concorrentes de países onde há menos impostos, maior disponibilidade de crédito a juros reais mais baixos, mais segurança jurídica e leis trabalhistas mais flexíveis", pondera.
Apesar de todos os problemas, o setor tem mostrado sua capacidade de superação. Embora represente 21,4% do PIB, responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais e 31,2% da previdenciária patronal. Emprega 20,4% de todos os trabalhadores brasileiros, paga os melhores salários, é a atividade que mais gera impactos em cadeia, mais recolhe impostos e mais promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.
"Imaginem, então, o que a indústria faria se tivesse melhores condições de impostos, financiamento, segurança jurídica e melhor ambiente interno de negócios", argumenta Cervone, concluindo: "Nosso objetivo é mobilizar a rede de quase oito mil associados do Ciesp, a maior do setor no Ocidente, para construirmos uma proposta consistente de política industrial e lutarmos por sua implementação".
FONTE/CRÉDITOS: Redação/Hourpress