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As escolas brasileiras têm até 2022 para se adaptar à lei 13.415/2017, que alterou as Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu mudanças na estrutura do ensino. Além de ampliar o tempo do estudante na escola, de 800h para 1000h anuais, o novo sistema também define a chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Por ela, haverá um currículo comum obrigatório para todos os alunos.
O que acha de trabalhar uma pauta esclarecendo para as pessoas, especialmente para pais/responsáveis e alunos que vão ingressar no Ensino Médio, quais serão essas mudanças? Sugerimos para isso um bate-papo com Sueli Conte, que é especialista em Educação, mestre em Neurociência, psicopedagoga, mantenedora e diretora do Colégio Renovação – que tem unidades nas cidades de São Paulo e Indaiatuba e trabalha, há mais de 35 anos, desde o Ensino Infantil ao Ensino Médio. A profissional e suas equipes já fizeram todas as adequações e implantaram o Novo Ensino Médio nas unidades do colégio e podem colaborar comentando sobre as mudanças, como foi o processo de implementação, adaptação dos alunos e das famílias à nova proposta, desafios, etc.
Ao contrário do que, inicialmente, pais e alunos podem pensar, o Novo Ensino Médio não vai abolir a ideia de disciplinas do currículo escolar. Ela traz uma proposta de colocar foco em quatro grandes áreas de conhecimento, que devem ser trabalhadas de maneira interdisciplinar e transdisciplinar. São elas: Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Isso significa, de acordo com Sueli, que é necessário fazer um planejamento de aula que atinja habilidades de mais de uma área do conhecimento, passando necessariamente pelo aspecto cognitivo, mas também pelo socioemocional e de prática/aplicação. Os professores precisam realizar planejamentos compartilhados, seja de aulas ou projetos, para que abordem temas em comum sob múltiplos pontos de vista. Com isso, os alunos ganham profundidade e horizontes expandidos em sua formação.
Trabalhar com as quatro grandes áreas propostas de forma conjugada traz como desafio, na visão da equipe do Colégio Renovação, o tempo para planejamento e a criação de espaços de comunicação entre professores. Isso, porque não existe inter ou transdisciplinaridade sem que esse diálogo esteja bem consolidado. Além da reunião pedagógica, torna-se importante a realização de reuniões para que os professores possam alinhar seus pensamentos. É neste momento em que os itinerários formativos ganham força. Os professores realizam reuniões extras para alinhar o planejamento, fazer propostas pedagógicas conjuntamente e para analisar e avaliar os resultados de suas construções. Outro desafio é a cultura escolar estabelecida, a expectativa do aluno e das famílias sobre as disciplinas do currículo tradicional. Todas estas práticas disruptivas são novidade e precisam ser muito bem explicadas.
Paralelo a isso, o time do Colégio Renovação enxerga uma série de benefícios com a implantação do Novo Ensino Médio. O primeiro deles é alinhar a proposta de sala de aula com o Projeto de Vida do estudante. A proposta de cada aula precisa ser ampla o suficiente para abarcar todas as individualidades que estão presentes em uma sala de aula. Dessa forma, personaliza-se o ensino e o protagonismo do aluno é estimulado para que ele se aprofunde cada vez mais em sua formação. Outro benefício é o engajamento. O Novo Ensino Médio aumenta muito o engajamento desta faixa etária.
Para Sueli Conte e sua equipe, o ideal é que a transição entre o Ensino Médio convencional e o Novo Ensino Médio seja gradual e que as orientações do MEC, dadas no Guia de Implementação, sejam seguidas. Tudo deve ser explicado de forma bastante clara aos pais, alunos, professores e demais envolvidos nessa transformação.