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Como o BBB ajuda a mostrar que o machismo continua presente na nossa sociedade
O Big Brother Brasil (BBB) sempre nos apresenta uma série de situações que acabam virando discussões polêmicas para a sociedade. Em menos de duas semanas de início, discussões sobre o machismo (que sempre é revivido em todas as edições) surgiram através de uma conversa entre o participante Maycon, Luigi e Wanessa, que falavam sobre o corpo da participante Yasmin Brunet. Os dois participantes comentaram com a Wanessa de como eles evitam olhar para a Yasmin, já que ela é uma mulher muito bonita, que usa roupas transparentes, que chama atenção, eles ficam com medo de desrespeitar suas mulheres aqui fora. Uma frase que chamou muita atenção foi ao Luigi dizer que “Para o nosso olho de homem, chama atenção”, se referindo à mulher.
Essas frases não são surpresa nenhuma para as mulheres, mas isso não tira o fato de ser muito chocante que dois homens casados achem de bom tom discutirem sobre as roupas de uma mulher, como se fosse uma provocação para eles. Além de desrespeito às esposas, como se elas fossem menos atraentes do que a participante, o tom das frases dá a impressão de que eles não conseguem olhar para uma mulher sem sexualizar o seu corpo, objetificando-a como se fosse apensas isso. Importante destacar que Maycon, inclusive, votou em Yasmin para o paredão alegando que a modelo não dava abertura para trocas, sendo que ele mesmo disse que não se aproxima dela em respeito à esposa.
Para reforçar os estereótipos, os participantes Rodriguinho e Nizam também tecerem comentários em relação ao corpo de Yasmin, onde Rodriguinho chegou a dizer que “Você percebe, ela tá mais velha, você percebe que ela largou mão. Hoje, ela comeu dois pacotes de bolacha inteiro com requeijão. Ela sai comendo", se referindo ao corpo da participante.
Essas falas são reproduções de uma sociedade machista e misógina, que reforçam estereótipos e preconceitos com as mulheres. Essa pressão afeta nossa saúde mental através de padrões estéticos irracionais, de que uma uma mulher deve ser perfeita, ou até que até que depois de tal idade ela perde sua feminilidade. Esses comportamentos deixam as mulheres sob pressões que levam à ansiedade, que ela se sinta inferior, ou busque padrões estéticos, gerando transtornos alimentares e transtornos de imagens.
As pessoas podem achar que machismo e misoginia se revelam apenas na forma de violência física, mas vai muito além, se revelando em forma de objetificação sexual, violência sexual, depreciação, feminicídio. Situações, por exemplo, quando uma mulher se impõe e é questionada se está de TPM; quando é incentivada a se arrumar mais para ser mais “feminina”; “piadas” que diminuem ou constrangem uma mulher.
Frases como: “Você nunca vai casar se agir assim”; “Isso é coisa de mulherzinha”; "Mulher no volante, perigo constante". Nós nascemos ouvindo como devemos nos portar, o que falar, o que não fazer, como a gente deve se arrumar para ficar mais feminina, como os homens não gostam de tal atitude. É como se os homens estivessem livres para agir como querem, e nós mulheres que temos que lidar com isso, seja não usando roupas muito curtas, não confrontando, não “provocando”. A sociedade não ensina os homens como se portar. Eles agem como se fosse um instinto que não conseguem controlar.
A educação é primordial para se combater o machismo. Ensinar as crianças desde pequenas que meninos e meninas têm os mesmos direitos e deveres. Além disso, comportamentos no dia a dia devem ser coibidos, como “piadinhas” que diminuem as mulheres. Os homens têm que ser ensinados que comportamentos machistas não são engraçados, que diminuir uma mulher não faz dele melhor que ela.
Sempre vemos esses comportamentos se repetindo nas edições do BBB e nunca vemos mudanças por parte dos homens. Eles não pensam em como determinadas ações podem ser desconfortáveis ou opressoras para uma mulher. Discutir o machismo sempre que ele aparecer é dever de todos, já que toda a sociedade é afetada. Machismo não é brincadeira. Ele machuca e pode matar. Discutir essas questões é primordial para que as mulheres sejam livres para decidirem suas vidas, e que possam ser quem quiserem sem medo da violência.