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Domingo, 21 de Junho de 2026
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Meio Ambiente

Colômbia: ação contra desmatam

Por Andrés Bermúdez Liévano, Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (Clip)

Redação
Por Redação
Colômbia: ação contra desmatam
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Em dezembro de 2018, o Ministro do Ambiente colombiano Ricardo Lozano recebeu o prêmio internacional “campeão do preço do carbono” por promover soluções econômicas inovadoras para impedir a crise climática. A premiação aconteceu durante a conferência anual das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, que acontecia na Polônia. E choveram elogios ao governo colombiano. 

Dirk Forrister, chefe da Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA), que atribuiu o prêmio, celebrou: “mais um país está utilizando mecanismos de mercado para fazer avançar os objetivos do Acordo de Paris”, assinado em 2015 em busca de  um novo consenso global sobre como resolver a crise do clima. 

A Colômbia, um dos 9 países que compartilham a Amazônia, maior floresta tropical do mundo,  recebeu o prêmio por ter adotado soluções de mercado para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa na atmosfera. Um deles foi um mecanismo lançado em 2017, através do qual as empresas sujeitas a pagar uma taxa de carbono sobre emissões de combustíveis fósseis podem compensar essas emissões, apoiando projetos de conservação ambiental.

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Um dos pilares dessa estratégia são os projetos Redd+ (também presentes no Brasil), que aliam comunidades que reduziram as taxas de desmatamento a empresas que querem neutralizar suas “pegadas” de carbono. E o maior símbolo é a Floresta Matavén, uma área florestal no sul da região de  Vichada, no leste da Colômbia, à beira da Amazônia, onde quase 13 mil  povos indígenas cuidam do habitat onde vivem e, em troca, vendem créditos de carbono.


Mas uma extensa investigação sugere que Matavén – o maior dos mais de 80 projetos Redd+ registrados pelo governo colombiano – pode estar prometendo evitar muito mais desmatamento do que pode garantir. A reportagem analisou documentos oficiais, projetos e fez uma dúzia de entrevistas com cientistas, funcionários públicos, consultores, acadêmicos, diplomatas e especialistas indígenas, alguns dos quais pediram para permanecer anônimos, pois o tema ainda é sensível no setor ambiental: as fraudes nos projetos de créditos de carbono. A reportagem fez ainda uma parceria com a Carbon Market Watch, organização europeia especializada em monitorar mercados de carbono e verificar se os projetos levam de fato a sociedades mais limpas.

A investigação revelou que muitos dos créditos de carbono vendidos pelo maior projeto colombiano poderiam ser ilusórios – o que se chama entre os ambientalistas de “apenas ar quente”. 

Mas não se trata só do caso colombiano. As possíveis inconsistências em Matavén expõem falhas mais amplas no sistema que regula os projetos Redd+ e o mercado de carbono, não apenas na Colômbia mas em outros países amazônicos, levantando questões sobre a  sua eficácia no combate ao desmatamento da floresta. 

A investigação revela ainda que a Colômbia pode estar perdendo milhões de dólares com o esquema, já que as empresas que participam dele ficam isentas do imposto nacional sobre o carbono. Ao mesmo tempo, o valor dos créditos é descontado da verba que a Colômbia recebe da cooperação internacional para reduzir o desmatamento amazônico, principal compromisso ambiental do país no Acordo de Paris.

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