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Chermie Ferreira, artista manauara, ribeirinha e descendente do povo Kokama, está pintando um dos últimos muros vazios do Beco do Batman.
A artista finaliza a obra nesta segunda-feira (12/07), às 9 horas.
A poucos metros da esquina da rua Gonçalo Afonso, com a viela sem nome, bem no centro do point do grafite em São Paulo, a artista está estampando mãe e filho indígenas. A arte também traz detalhes da paisagem amazônica, com referências à flora e peixes locais, e principalmente muita cor para retratar a cultura do Norte do país.
“O Beco do Batman está ganhando contornos femininos e indígenas para reforçar o papel da mulher no mundo e na arte e ao mesmo tempo homenagear a cultura amazônica”, explica o galerista Helder Kanamaru, da ZIV Gallery, responsável pela representação da artista e patrocinadora da pintura. A galeria fica na esquina oposta à obra.
O novo grafite está em um dos últimos muros sem intervenção artística na área.
Novo Beco do Batman
O Beco do Batman, conhecido por ser uma galeria de arte urbana a céu aberto, vem ganhando novos ares, com grafites e negócios recentes surgindo, como galerias e restaurantes, reforçando a vocação artística e de turismo da região.
A área também está passando por melhorias nas calçadas e vias para melhorar o fluxo de visitantes.
“O Beco do Batman é um local cada vez mais dedicado à arte urbana e preocupado em receber bem os visitantes nacionais e internacionais”, destaca Kanamaru, da ZIV Gallery, inaugurada no final de fevereiro deste ano.
A arte de Chermie Ferreira
Chermie Ferreira ou Wira Tini, nome indígena da artista cujo significado em Kokama é Pássaro Branco, é uma artista natural de Manaus, de 33 anos, radicada há 2, na capital paulista.
No grafite desde a adolescência, ela luta por representatividade feminina na arte urbana. Entre os inúmeros eventos sob sua coordenação, está o Festival Yapai Waina, “levanta mulher”, em Kokama: o 1º Festival Internacional de Grafite com foco nas artistas plásticas do Amazonas, realizado este ano, de 13 a 15 de maio, em Presidente Figueiredo (AM).
A artista também criou a plataforma de divulgação digital de trabalhos de mulheres, o “Graffiti Queens“; a primeira revista de grafite feminina em meio físico e organizou o “1º Festival Internacional de Grafite Feminino”, em São Paulo.
Em 2020, ao ver sua cidade gravemente atingida pela epidemia de Covid-19, ela retornou a Manaus para acompanhar de perto a saúde da família. Ao conviver mais profundamente com os familiares ribeirinhos descobriu histórias ancestrais repletas de mulheres fortes e corajosas e passou a retratá-las em suas obras.
Chermie começou no grafite e hoje atua em diversas outras plataformas, criando suas próprias tintas e renovando-se continuamente.
Mãe de duas meninas, filha de ribeirinhos, com ascendência negra e indígena, Chermie retrata a vida, as dificuldades e alegrias da população no Norte do Brasil, especialmente mulheres e trabalhadores.
Venha ver
Quando: O novo grafite está sendo finalizado pela artista Chermie Ferreira, nesta segunda-feira (12 de julho), às 9 horas.
Onde: rua Gonçalo Afonso, altura do número 119, Beco do Batman, Vila Madalena – São Paulo.