Diante do Atlético-MG em casa, equipe chegou a ter sete desfalques e não saiu do empate (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
O aniversário de 108 anos do Sport Club Corinthians Paulista deveria ser comemorado em grande estilo – e com direito a vitória sobre o Atlético-MG, no entanto, tudo que a equipe do técnico Osmar Loss conseguiu foi um fraco empate em 1 a 1, pela 22ª rodada do Brasileirão, frustrando os quase 30 mil torcedores presentes na Arena de Itaquera. A partida revelou um problema sério que tem assolado o elenco alvinegro: a falta de bons jogadores.
A fragilidade técnica que já havia sendo percebida desde o desmanche durante a Copa com a saída de jogadores importantes como Rodriguinho e Balbuena, tem se tornado ainda mais grave, já que conforme o desgaste físico e as lesões, que são algo natural com o decorrer da segunda metade da temporada, os desfalques aparecem de tempos em tempos.
Contra o Galo foram sete titulares afastados: Fagner, Clayson e Douglas suspensos, Pedro Henrique machucado e Cássio, Henrique e Jadson poupados por desgaste, o que só aumentou a dor de cabeça de Loss que está passando por maus bocados desde sua chegada no Timão em maio.
A escalação ficou com Walter no gol, um quarteto de zaga formado por Mantuan, Léo Santos, Marllon e Danilo Avelar, Gabriel e Ralf os volantes, com Araos fazendo a ligação com o ataque que contava com Romero, Pedrinho e Roger.
Apesar do histórico convincente nas categorias de base do Coringão, o treinador de 43 tem tido uma missão não impossível, mas difícil para ele que é a de manter o bom legado da era Carille, atual campeão brasileiro inclusive.
Na última atuação do time, o que se viu foi um Corinthians desasjustado, remendado e sobrecarregado, que mal assustou o adversário mineiro e ainda tirou o sorriso do rosto da torcida ao tomar o empate, mesmo depois de um golaço de Pedrinho, de fora da área aos 19 do primeiro tempo.
Infelicidade de Gabriel, que colocou a mão na bola dentro da área após cruzamento e que a arbitragem assinalou pênalti convertido por Fábio Santos, aos 35 ainda na etapa inicial.
Sem falar nas estatísticas: foram 10 chutes do Galo contra sete dos anfitriões, e destes, o Timão acertou apenas um arremate, justamente o gol de Pedrinho. A posse de bola foi bastante equilibrada (56% a 44%) e as faltas foram muitas, com o Corinthians cometendo 16 contra 21 do Atlético.
E para não ser justo com o treinador do Timão, analisemos o retrospecto desde sua chegada: a partir do dia 24 de maio quando estreou contra o Millonarios da Colômbia pela Libertadores até aqui, Loss venceu apenas 10, empatou cinco e perdeu nove em 24 jogos. Seu ataque marcou 25 vezes e sua defesa foi vazada em 20 oportunidades (saldo de cinco gols). Antes de Loss, o Corinthians era um dos primeiros na tabela e atualmente já acumula 16 pontos atrás do líder São Paulo.
"Acho que o Corinthians teve uma mudança grande de jogadores, e toda mudança no meio de temporada gera dificuldades. Ninguém esconde isso, estamos em uma fase de reformulação. No jogo colocamos muitos jogadores que não vêm sendo titulares", explicou o técnico corinthiano que vê o mal momento como transitório.
Numa análise mais geral, o ataque do Corinthians hoje é ineficaz e a defesa bastante deficiente. Com o desmanche e os recorrentes desfalques, isso se torna ainda mais evidente.
“O Loss é um cara muito competente, um cara que o grupo gosta bastante, acho que o nível de treinamento que ele tenta propor é muito bom. Ele não está aqui de paraquedas. A equipe não vive em um momento com uma confiança boa, mas temos que ter força, união e apoio à comissão para as coisas ficarem mais fáceis”, disse em entrevista o volante Gabriel.
Enquanto a fase ruim não passa, o Corinthians deve se recuperar rápido no Campeonato Brasileiro, pois é o 8º com apenas 30 pontos, e beliscar uma vaga na final da Copa do Brasil. O próximo desafio é contra o Ceará, na quarta (5), às 20h, no Castelão, oportunidade em que Loss não poderá contar com Cássio afastado por lesão. Logo depois, o Alvinegro encara o arquirrival Palmeiras, no domingo, e o Flamengo, pelo mata-mata nacional no dia 12, ambos fora de casa.