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Vingadores: Guerra Infinita é épico sem ser vulgar (crítica sem spoilers)

Após 10 anos de filmes, Marvel Studios entrega aquele que tem tudo para ser o melhor longa de super-heróis, até agora

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Após 10 anos de filmes, Marvel Studios entrega aquele que tem tudo para ser o melhor longa de super-heróis, até agora

Enfim, está entre nós aquele que é o maior responsável pelo hype generalizado dos últimos anos na cultura pop, e nem estou falando da equipe mais badalada de heróis da década com Capitão América, Homem de Ferro e companhia. Estou falando de um blockbuster que é bem mais que os personagens que o nomeiam, e também de seu surpreendente vilão, Thanos. 

Vingadores: Guerra Infinita é na verdade a cereja do bolo, de uma série de ensaios da Marvel Studios que completa 10 anos para fazer um grande filme de super-herói. Um universo cinematográfico que começou em 2008 com “Homem de Ferro” (Jon Favreau)  e teve seu ápice em bilheteria com “Os Vingadores” (Joss Whedon) de 2012. No entanto, ao longo dos anos, a editora reponsável por dar vida aos seus personagens no cinema encontrou uma fórmula – e nem é a da Coca-Cola – onde pôde “treinar” e passear por diversos subgêneros dentro de seus longametragens, até chegar em um denominador comum entre a essência dos quadrinhos e uma adaptação hollywoodiana.

Falando do filme em si, o terceiro Vingadores é épico, sem exageros. Trata-se do mais difícil desafio que os maiores heróis da Terra e do espaço, já enfrentaram nas telonas, o temível Thanos (Josh Brolin). E sem desmerecer o restante das personagens, o vilão é sem dúvidas a melhor coisa do filme. Não é apenas dois metros de pura púrpura, mas é surpreendentemente bom. Tanto pelas suas motivações, que chegam a ser genéricas – não vá me dizer que exterminar metade do universo com artefatos poderosos não tem um “quê” de Indiana Jones? – e previsíveis por serem bem intensionadas, porém maquiavélicas em seu modus operandi, quanto porque o titã louco é, sem dúvidas bem construído, de modo que você se importa e entende as razões que o guiam na trama, mesmo sendo ele quem rivaliza com protagonistas tão queridos – um alívio para uma Marvel com uma vilania pouco notável na sétima arte.

Se o gigante roxo é causa de temor e tremor, ganhando maior tempo em tela, já que como os diretores Anthony e Joe Russo (Capitão America: Guerra Civil, 2017) já declararam publicamente, que é uma história contada a partir do ponto de vista do antagonista, quem traz aquele sorriso de canto são os heróis, que mesmo ofuscados pelos momentos em que aparece a temível ameaça, roubam todas as demais cenas, e na maioria das vezes, naquilo em que a Marvel – finalmente talvez? – aprendeu a moldar com o tempo, o humor. A tão criticada comédia nos filmes da editora de Stan Lee, aqui ficou leve e equilibrada. Mesmo as piadas mais “no sense” ou galhofas são bem executadas, com o tempo certo e a leveza necessária para aliviar a tensão do ”fim que está próximo”.

O longa parece até a reunião dos seres mais engraçados do universo, uma graça inteligente e construtiva para o roteiro. Imagine, por exemplo, um encontro inesperado dos maiores super-egos do cinema de quadrinhos, Tony Stark (Robert Downey Jr.), Doutor Estranho (Bennedict Cumberbatch) e Senhor das Estrelas (Chris Pratt)? Quão tenso seria o conflito de ideias, e consequetemente, certa a garantia de boas risadas? Tudo isso acompanhado por dois dos maiores alívios cômicos da Marvel nas telonas, Homem-Aranha (Tom Holland) e Drax (Dave Bautista)? Todos estão formidáveis em Guerra Infinita.

Até mesmo o antes sisudo Capitão América (Chris Evans) e o espalhafatoso Hulk (Mark Ruffalo) estão ótimos em cena, pois sempre que aparecem conseguem tirar um sorriso do público, seja numa simples risada, seja de admiração. Todavia, o personagem com melhor resolução de seu arco, além de Thanos, neste filme é Thor (Chris Hemsworth). Enfim, a Marvel conseguiu imprimir no deus do trovão a grandeza que o personagem possui nas HQs, mostrando que o asgardiano finalmente se encontrou no universo cinematográfico da editora depois de seus tão criticados filmes solos – o que inclui a comédia, agora na medida certa.

No entanto, o filme não é de todo bom – sim, há falhas, quase imperceptíveis, mas há. Grande foi o fardo que os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus tiveram que carregar em seus ombros ao se deparar com uma aventura tão recheada de personagens, dentre heróis e coadjuvantes sem poderes. O resultado foi alguns segundos de tela para personagens icônicos da Marvel no cinema que pouco influenciaram na trama. Talvez as melhores cenas secundárias ficam para os casais Peter Quill (Chris Pratt) e Gamora (Zoe Saldana) e Visão (Paul Bettany) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) provando de uma vez por todas, que um drama romântico cai bem até quando o mundo está prestes a acabar pela sua metade.

Outros pontos são consideráveis, porém, não estragam a experiência de ver o longa, como a própria adaptação, com artifícios que não levam ao pé-da-letra o que acontece nas páginas quadriculadas – algo que é o espinho na carne dos fãs mais hardcores de HQs. Em contrapartida, isso não embobece o filme, mas o torna melhor resolvido em termos de roteiro cinematográfico. A trilha sonora não é inovadora, mas cumpre bem seu papel caminhando junto com o que é visto, tratando de tonalizar as emoções em cena, das mais serenas às mais tensas. O mesmo não podemos falar – ainda bem - das cenas de ação, memoráveis e tão bem coreagrafadas que ficarão na lembrança dos nerds por um bom tempo.

No mais, Vingadores: Guerra Infinita é ótimo, e digo  mais, inesquecível. Particularmente, foi como ver uma típica animação de quadrinhos numa sala de cinema. Justamente porque 2h30 aparentam 30 minutos de tão presa fica nossa atenção ao assitir. O melhor retrato que uma legítima aventura super-heróica composta em traços cartunescos mereça com atores reais e computadorizados – aliás a computação gráfica é bem lapidada e não incomoda aos olhos dos espectadores. A sensação em cada cena é de folhear com os olhos, páginas e páginas de um bom quadrinho.

Talvez o melhor filme de super-herói de todos os tempos? Não sabemos ao certo, mas pode-se dizer tranquilamente que é um grande ápice para uma história que já dura 10 anos e 19 longas. Guerra Infinita representa não uma revolução de fato, já que não traz novidades em como se fazer um blockbuster do gênero, algo mais constatado no primeiro Vingadores. Por outro lado, é uma aula de como fazer uma super saga de gibi, em sua melhor experiência de recursos, já que estamos falando da parceria poderosa entre Disney e Marvel. Na verdade, é difícil imaginar o quanto poderá evoluir as adaptações cinematográficas de quadrinhos depois desse filme, cuja produção de grande escala e tantos elementos reunidos, traz um novo expectro para o cinema de super-herois e de vilões.

Ficha Técnica:

Vingadores: Guerra Infinita - Marvel Studios
Gênero: Ação-Aventura
Classificação: 12 anos
Data de Lançamento no Brasil: 26 de abril de 2018
Duração: 149 minutos
Direção: Anthony e Joe Russo
Produção: Kevin Feige
Produção Executiva: Louis D’Esposito, Victoria Alonso, Michael Grillo, Trinh Tran, Jon Favreau, James Gunn, Stan Lee
Roteiro: Christopher Markus & Stephen McFeely

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Vingadores: Guerra Infinita é épico sem ser vulgar (crítica sem spoilers)

Após 10 anos de filmes, Marvel Studios entrega aquele que tem tudo para ser o melhor longa de super-heróis, até agora

Enfim, está entre nós aquele que é o maior responsável pelo hype generalizado dos últimos anos na cultura pop, e nem estou falando da equipe mais badalada de heróis da década com Capitão América, Homem de Ferro e companhia. Estou falando de um blockbuster que é bem mais que os personagens que o nomeiam, e também de seu surpreendente vilão, Thanos. 

Vingadores: Guerra Infinita é na verdade a cereja do bolo, de uma série de ensaios da Marvel Studios que completa 10 anos para fazer um grande filme de super-herói. Um universo cinematográfico que começou em 2008 com “Homem de Ferro” (Jon Favreau)  e teve seu ápice em bilheteria com “Os Vingadores” (Joss Whedon) de 2012. No entanto, ao longo dos anos, a editora reponsável por dar vida aos seus personagens no cinema encontrou uma fórmula – e nem é a da Coca-Cola – onde pôde “treinar” e passear por diversos subgêneros dentro de seus longametragens, até chegar em um denominador comum entre a essência dos quadrinhos e uma adaptação hollywoodiana.

Falando do filme em si, o terceiro Vingadores é épico, sem exageros. Trata-se do mais difícil desafio que os maiores heróis da Terra e do espaço, já enfrentaram nas telonas, o temível Thanos (Josh Brolin). E sem desmerecer o restante das personagens, o vilão é sem dúvidas a melhor coisa do filme. Não é apenas dois metros de pura púrpura, mas é surpreendentemente bom. Tanto pelas suas motivações, que chegam a ser genéricas – não vá me dizer que exterminar metade do universo com artefatos poderosos não tem um “quê” de Indiana Jones? – e previsíveis por serem bem intensionadas, porém maquiavélicas em seu modus operandi, quanto porque o titã louco é, sem dúvidas bem construído, de modo que você se importa e entende as razões que o guiam na trama, mesmo sendo ele quem rivaliza com protagonistas tão queridos – um alívio para uma Marvel com uma vilania pouco notável na sétima arte.

Se o gigante roxo é causa de temor e tremor, ganhando maior tempo em tela, já que como os diretores Anthony e Joe Russo (Capitão America: Guerra Civil, 2017) já declararam publicamente, que é uma história contada a partir do ponto de vista do antagonista, quem traz aquele sorriso de canto são os heróis, que mesmo ofuscados pelos momentos em que aparece a temível ameaça, roubam todas as demais cenas, e na maioria das vezes, naquilo em que a Marvel – finalmente talvez? – aprendeu a moldar com o tempo, o humor. A tão criticada comédia nos filmes da editora de Stan Lee, aqui ficou leve e equilibrada. Mesmo as piadas mais “no sense” ou galhofas são bem executadas, com o tempo certo e a leveza necessária para aliviar a tensão do ”fim que está próximo”.

O longa parece até a reunião dos seres mais engraçados do universo, uma graça inteligente e construtiva para o roteiro. Imagine, por exemplo, um encontro inesperado dos maiores super-egos do cinema de quadrinhos, Tony Stark (Robert Downey Jr.), Doutor Estranho (Bennedict Cumberbatch) e Senhor das Estrelas (Chris Pratt)? Quão tenso seria o conflito de ideias, e consequetemente, certa a garantia de boas risadas? Tudo isso acompanhado por dois dos maiores alívios cômicos da Marvel nas telonas, Homem-Aranha (Tom Holland) e Drax (Dave Bautista)? Todos estão formidáveis em Guerra Infinita.

Até mesmo o antes sisudo Capitão América (Chris Evans) e o espalhafatoso Hulk (Mark Ruffalo) estão ótimos em cena, pois sempre que aparecem conseguem tirar um sorriso do público, seja numa simples risada, seja de admiração. Todavia, o personagem com melhor resolução de seu arco, além de Thanos, neste filme é Thor (Chris Hemsworth). Enfim, a Marvel conseguiu imprimir no deus do trovão a grandeza que o personagem possui nas HQs, mostrando que o asgardiano finalmente se encontrou no universo cinematográfico da editora depois de seus tão criticados filmes solos – o que inclui a comédia, agora na medida certa.

No entanto, o filme não é de todo bom – sim, há falhas, quase imperceptíveis, mas há. Grande foi o fardo que os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus tiveram que carregar em seus ombros ao se deparar com uma aventura tão recheada de personagens, dentre heróis e coadjuvantes sem poderes. O resultado foi alguns segundos de tela para personagens icônicos da Marvel no cinema que pouco influenciaram na trama. Talvez as melhores cenas secundárias ficam para os casais Peter Quill (Chris Pratt) e Gamora (Zoe Saldana) e Visão (Paul Bettany) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) provando de uma vez por todas, que um drama romântico cai bem até quando o mundo está prestes a acabar pela sua metade.

Outros pontos são consideráveis, porém, não estragam a experiência de ver o longa, como a própria adaptação, com artifícios que não levam ao pé-da-letra o que acontece nas páginas quadriculadas – algo que é o espinho na carne dos fãs mais hardcores de HQs. Em contrapartida, isso não embobece o filme, mas o torna melhor resolvido em termos de roteiro cinematográfico. A trilha sonora não é inovadora, mas cumpre bem seu papel caminhando junto com o que é visto, tratando de tonalizar as emoções em cena, das mais serenas às mais tensas. O mesmo não podemos falar – ainda bem - das cenas de ação, memoráveis e tão bem coreagrafadas que ficarão na lembrança dos nerds por um bom tempo.

No mais, Vingadores: Guerra Infinita é ótimo, e digo  mais, inesquecível. Particularmente, foi como ver uma típica animação de quadrinhos numa sala de cinema. Justamente porque 2h30 aparentam 30 minutos de tão presa fica nossa atenção ao assitir. O melhor retrato que uma legítima aventura super-heróica composta em traços cartunescos mereça com atores reais e computadorizados – aliás a computação gráfica é bem lapidada e não incomoda aos olhos dos espectadores. A sensação em cada cena é de folhear com os olhos, páginas e páginas de um bom quadrinho.

Talvez o melhor filme de super-herói de todos os tempos? Não sabemos ao certo, mas pode-se dizer tranquilamente que é um grande ápice para uma história que já dura 10 anos e 19 longas. Guerra Infinita representa não uma revolução de fato, já que não traz novidades em como se fazer um blockbuster do gênero, algo mais constatado no primeiro Vingadores. Por outro lado, é uma aula de como fazer uma super saga de gibi, em sua melhor experiência de recursos, já que estamos falando da parceria poderosa entre Disney e Marvel. Na verdade, é difícil imaginar o quanto poderá evoluir as adaptações cinematográficas de quadrinhos depois desse filme, cuja produção de grande escala e tantos elementos reunidos, traz um novo expectro para o cinema de super-herois e de vilões.

Ficha Técnica:

Vingadores: Guerra Infinita - Marvel Studios
Gênero: Ação-Aventura
Classificação: 12 anos
Data de Lançamento no Brasil: 26 de abril de 2018
Duração: 149 minutos
Direção: Anthony e Joe Russo
Produção: Kevin Feige
Produção Executiva: Louis D’Esposito, Victoria Alonso, Michael Grillo, Trinh Tran, Jon Favreau, James Gunn, Stan Lee
Roteiro: Christopher Markus & Stephen McFeely

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