São Paulo de Fato

Imirim completou 187 anos de progresso

O povo mais feliz da zona norte

O bairro do Imirim está completando 187 anos de fundação e mantendo-se como rara resistência ao progresso, com seu aspecto bucolicamente simples dentro de uma cidade que não para de crescer. Assim vem se preservando com ares semelhantes a uma típica cidade interiorana, tendo em sua entrada principal o cemitério Municipal do Chora Menino e uma ampla avenida Imirim avançando ao coração do bairro, com intenso comércio voltado aos moradores e com sua igreja Matriz N. Sra. de Fatima, encravada de forma imponente na parte mais alta do bairro.
A região no período imperial pertencia a uma fazendeira. Sem herdeiros, após seu falecimento a área foi loteada e dividida em vários sítios com pequenos agricultores portugueses e italianos a partir de 1833, e preservando algumas malocas de índios Tupys à beira do Córrego do Rio Pequeno, hoje Av. Eng. Caetano Álvares que tornou-se no tempo o divisor de um progresso que chegou pela parte planalto do bairro até 1940, com o outro lado da margem formado por chácaras sendo a principal de propriedade da família Rochi, que posteriormente logo tratou de lotear a gleba de terras criando a Vila Roque.
A Avenida Imirim até a década de 1960 não possuia asfalto nem tampouco transporte urbano. Era uma larga via pública de cascalhos e pedregulhos. Suas casas ao longo da estrada possuíam fachadas arquitetônicas de inspirações tipicamente lusitanas. 
Em seguida, com o asfalto e paralelepípedos pavimentados, chegou a famosa e inesquecivel linha CMTC Imirim - Itaim 106A que levava os moradores até a zona Sul, passando pelo seu distrito de Santana, seguindo pela Ponte Pequena, Centro e Av. 9 de Julho. Outras linhas foram criadas posteriormente, através da Viação Brasília, seguida das Viacões Estrela D'alva e N.Sra. de Fátima, ambas de propriedade do Rui Codo, um antigo vereador da região, num tempo de militarismo.
E foram surgindo no bairro escolas construídas inicialmente em barracões de madeira como foi o caso da Municipal de 1°Grau Marcílio Dias e a estadual Leme do Prado, depois edificadas em alvenaria.
Os loteamentos foram avançando com os novos moradores de origem predominantemente portuguesa, italiana e japonesa, construindo suas casas, em ruas recém criadas e identificadas por letras, entre árvores  frutíferas como pés de caquís, mangas, goiabas, pêssegos e jaboticabas.
Os imigrantes japoneses passaram a explorar os serviços de armazéns Secos & Molhados, foto, ótica, relojoaria e barracas de feira livres; Já os portugueses e italianos optaram por depósitos de construção, tijolaria  mercearias e padarias,  como foi o caso da Panificadora Lucas e a 5 irmãos localizada no ponto inicial do Imirim CMTC. Várias farmácias tradicionais foram surgindo, citando por exemplo a Farmácia Imirim do saudoso Seu José, a Droga Delta do Seu Falino da família Caccia e a Droga Paulo no Largo do Imirim, alem de outras que marcaram seu tempo pelo lado mais desenvolvido na entrada do bairro. Vale lembrar que os farmacêuticos daquele tempo funcionavam como confiáveis suportes de auto-medicação, pois havia um único posto de saúde no bairro, mantido pelo Sesi-Serviço Social da Indústria instalado aos  fund os da Ig reja de Fátima, voltado prioritariamente às crianças. E ainda tinhamos poucos médicos de atendimento particular como é o caso do pioneiro Dr. Duarte, que pelo que soube, ainda está na ativa e desenvolvendo atividade médica social à famílias carentes. 
O loteamento da Vila Roque neste período, teve no seu entorno o recebimento migratório de numerosas famílias recém oriundos da Ilha da Madeira em Portugal, colaborando com o desenvolvimento do lado baixada do Imirim, e assim junto a outros imigrantes, deixaram marcados seus sobrenomes como Roque, Pitta, Gouveia, Lucas, Oliveira, Nogueira, Azevedo, Kanashiro, Yogui, Nóbrega, Azevedo, Martins, entre tantos outros nomes dedicados ao desenvolvimento regional como Vilarejo, e que se juntaram a brasileiros migrantes de vários estados, além de afrodescendentes que vieram de diversas fazendas do interior Paulista e Minas Gerais.  
No loteamento tiveram  a evidente preocupação religiosa como um dos pilares de apoio ao exercício da fé no agregamento familiar e assim, surgiram Igrejas como a Paróquia de São Roque sob o comando inicial dos padres Bernardo e Kirano, a Igreja Presbiteriana da Assuero Roque, a Congregação Cristã do Brasil na Av. Imirim e a Seicho no Ie - Brasil entre tantas outras que vieram depois.
A parte social também teve seu olhar comunitário com o lendário clube Corinthinha do Imirim, fundado em 1950 que formou uma geração de grandes talentos como Zinho, China, Dorval, Zague, Biró, Sabará, entre tantos craques que os levaram ao bi-campeonato de várzea. Na Vila Roque o destaque esportivo surgiu em 1945, com o SAI - Sociedade Amigos do Imirim, idealizado pelo Sr Guido Rocchi, fundador da Vila Roque.
O SAI, hoje chamado de SACI era o grande espaço da sociabilidade esportiva e cultural dos anos 60/70, onde exibia aos domingos uma sessão  de filmes e desenhos em Câmera Super 8, numa época ainda sem televisão nos lares. Jogos de bocha, PingPong, Truco, eventuais exibições de luta livre, entre outras, compunham as atividades por ali.
Mas o sucesso do clube ficou marcado por grandes times que por lá foram formados, capitaneados pelo técnico Zelão já no início dos anos 70 e craques como Fernando, Pimenta, Zé Carlos, Xerife, Sabará, Wagner, Babi, seguidos depois por Irineu e Minoro, Pasquim, só para elencar alguns craques, pois inúmeros foram os talentos por ali revelados. O pós jogo, a resenha eram regadas a muitas ampôlas de cerveja nos históricos Bares do Fevereiro e do Baratinha, tradição de ponto de encontro de muita gente bamba daquela época.
O auge da diversão da juventude ainda neste tempo foram marcados pelos nostálgicos Dancin Days e Tio Sam, além do point inesquecível do alto da Av.Imirim, em frente aos "Irmãos Coragem" uma popular casa de sucos que tornou-se grande sucesso em São Paulo, marcados pelo humor e malabarismo de seus proprietários atrás do balcão, e o clássico Bar noturno chamado "Pilekinho" que acabou culminando numa rede de casas.
Na educação, o sonho de formação escolar das famílias de classe média era colocar filhos para estudarem no particular Colégio Consolata e por lá fazer um curso de datilografia.
Na Vila Roque, a maioria da garotada era feliz na Escola Municipal de 1°Grau Marcílio Dias, que apesar de pública tinha um ensino de alto nível. O curso de datilografia, era uma pré-condição para arrumar um bom emprego, e a turma fazia na Escola da Vanda, no Largo do ponto Imirim.
Das personalidades deste período, que residiam no bairro e por lá fizeram a diferença  para a comunidade, podemos citar a Dona Romilde, saudosa diretora do Marcílio Dias até hoje lembrada por quem lá estudou, e o famoso massagista Mário Américo, um dos grandes ícones da seleção brasileira, é o Sr Guido pela ativa participação na fundação da Vila Roque.

Se perguntarmos a qualquer antigo morador do bairro, quais os eventos tradicionais da região e  que marcaram suas vidas, certamente haverão de se lembrar das imperdíveis quermesses da São Roque e Colégio Meirelles, bem como, o tradicional desfile cívico de 7 de setembro na parte alta do Bairro em frente ao Colégio Consolata e Igreja de Fátima, com as impecáveis apresentações de fanfarras e bandas marciais dos colégios da região.

Enfim, há muitas histórias e causos para contar de um bairro que sobrevive ao tempo, sem perder sua essência, seus costumes, seus valores familiares, suas conversas de portão vizinho.

Claro que muita coisa mudou, mas sempre encontrará em cada residente do bairro, um certo orgulho Imirinense.

Nota: Esta é uma narrativa do autor Walmir Oliveira Mello, baseada em sua vivência no bairro desde a infância.
Mudou-se há 26 anos, mas suas raízes familiares ainda permanecem por lá.
Pode ter saído do Imirim...mas o Imirim nunca sairá de dentro dele.

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Imirim completou 187 anos de progresso

O bairro do Imirim está completando 187 anos de fundação e mantendo-se como rara resistência ao progresso, com seu aspecto bucolicamente simples dentro de uma cidade que não para de crescer. Assim vem se preservando com ares semelhantes a uma típica cidade interiorana, tendo em sua entrada principal o cemitério Municipal do Chora Menino e uma ampla avenida Imirim avançando ao coração do bairro, com intenso comércio voltado aos moradores e com sua igreja Matriz N. Sra. de Fatima, encravada de forma imponente na parte mais alta do bairro.
A região no período imperial pertencia a uma fazendeira. Sem herdeiros, após seu falecimento a área foi loteada e dividida em vários sítios com pequenos agricultores portugueses e italianos a partir de 1833, e preservando algumas malocas de índios Tupys à beira do Córrego do Rio Pequeno, hoje Av. Eng. Caetano Álvares que tornou-se no tempo o divisor de um progresso que chegou pela parte planalto do bairro até 1940, com o outro lado da margem formado por chácaras sendo a principal de propriedade da família Rochi, que posteriormente logo tratou de lotear a gleba de terras criando a Vila Roque.
A Avenida Imirim até a década de 1960 não possuia asfalto nem tampouco transporte urbano. Era uma larga via pública de cascalhos e pedregulhos. Suas casas ao longo da estrada possuíam fachadas arquitetônicas de inspirações tipicamente lusitanas. 
Em seguida, com o asfalto e paralelepípedos pavimentados, chegou a famosa e inesquecivel linha CMTC Imirim - Itaim 106A que levava os moradores até a zona Sul, passando pelo seu distrito de Santana, seguindo pela Ponte Pequena, Centro e Av. 9 de Julho. Outras linhas foram criadas posteriormente, através da Viação Brasília, seguida das Viacões Estrela D'alva e N.Sra. de Fátima, ambas de propriedade do Rui Codo, um antigo vereador da região, num tempo de militarismo.
E foram surgindo no bairro escolas construídas inicialmente em barracões de madeira como foi o caso da Municipal de 1°Grau Marcílio Dias e a estadual Leme do Prado, depois edificadas em alvenaria.
Os loteamentos foram avançando com os novos moradores de origem predominantemente portuguesa, italiana e japonesa, construindo suas casas, em ruas recém criadas e identificadas por letras, entre árvores  frutíferas como pés de caquís, mangas, goiabas, pêssegos e jaboticabas.
Os imigrantes japoneses passaram a explorar os serviços de armazéns Secos & Molhados, foto, ótica, relojoaria e barracas de feira livres; Já os portugueses e italianos optaram por depósitos de construção, tijolaria  mercearias e padarias,  como foi o caso da Panificadora Lucas e a 5 irmãos localizada no ponto inicial do Imirim CMTC. Várias farmácias tradicionais foram surgindo, citando por exemplo a Farmácia Imirim do saudoso Seu José, a Droga Delta do Seu Falino da família Caccia e a Droga Paulo no Largo do Imirim, alem de outras que marcaram seu tempo pelo lado mais desenvolvido na entrada do bairro. Vale lembrar que os farmacêuticos daquele tempo funcionavam como confiáveis suportes de auto-medicação, pois havia um único posto de saúde no bairro, mantido pelo Sesi-Serviço Social da Indústria instalado aos  fund os da Ig reja de Fátima, voltado prioritariamente às crianças. E ainda tinhamos poucos médicos de atendimento particular como é o caso do pioneiro Dr. Duarte, que pelo que soube, ainda está na ativa e desenvolvendo atividade médica social à famílias carentes. 
O loteamento da Vila Roque neste período, teve no seu entorno o recebimento migratório de numerosas famílias recém oriundos da Ilha da Madeira em Portugal, colaborando com o desenvolvimento do lado baixada do Imirim, e assim junto a outros imigrantes, deixaram marcados seus sobrenomes como Roque, Pitta, Gouveia, Lucas, Oliveira, Nogueira, Azevedo, Kanashiro, Yogui, Nóbrega, Azevedo, Martins, entre tantos outros nomes dedicados ao desenvolvimento regional como Vilarejo, e que se juntaram a brasileiros migrantes de vários estados, além de afrodescendentes que vieram de diversas fazendas do interior Paulista e Minas Gerais.  
No loteamento tiveram  a evidente preocupação religiosa como um dos pilares de apoio ao exercício da fé no agregamento familiar e assim, surgiram Igrejas como a Paróquia de São Roque sob o comando inicial dos padres Bernardo e Kirano, a Igreja Presbiteriana da Assuero Roque, a Congregação Cristã do Brasil na Av. Imirim e a Seicho no Ie - Brasil entre tantas outras que vieram depois.
A parte social também teve seu olhar comunitário com o lendário clube Corinthinha do Imirim, fundado em 1950 que formou uma geração de grandes talentos como Zinho, China, Dorval, Zague, Biró, Sabará, entre tantos craques que os levaram ao bi-campeonato de várzea. Na Vila Roque o destaque esportivo surgiu em 1945, com o SAI - Sociedade Amigos do Imirim, idealizado pelo Sr Guido Rocchi, fundador da Vila Roque.
O SAI, hoje chamado de SACI era o grande espaço da sociabilidade esportiva e cultural dos anos 60/70, onde exibia aos domingos uma sessão  de filmes e desenhos em Câmera Super 8, numa época ainda sem televisão nos lares. Jogos de bocha, PingPong, Truco, eventuais exibições de luta livre, entre outras, compunham as atividades por ali.
Mas o sucesso do clube ficou marcado por grandes times que por lá foram formados, capitaneados pelo técnico Zelão já no início dos anos 70 e craques como Fernando, Pimenta, Zé Carlos, Xerife, Sabará, Wagner, Babi, seguidos depois por Irineu e Minoro, Pasquim, só para elencar alguns craques, pois inúmeros foram os talentos por ali revelados. O pós jogo, a resenha eram regadas a muitas ampôlas de cerveja nos históricos Bares do Fevereiro e do Baratinha, tradição de ponto de encontro de muita gente bamba daquela época.
O auge da diversão da juventude ainda neste tempo foram marcados pelos nostálgicos Dancin Days e Tio Sam, além do point inesquecível do alto da Av.Imirim, em frente aos "Irmãos Coragem" uma popular casa de sucos que tornou-se grande sucesso em São Paulo, marcados pelo humor e malabarismo de seus proprietários atrás do balcão, e o clássico Bar noturno chamado "Pilekinho" que acabou culminando numa rede de casas.
Na educação, o sonho de formação escolar das famílias de classe média era colocar filhos para estudarem no particular Colégio Consolata e por lá fazer um curso de datilografia.
Na Vila Roque, a maioria da garotada era feliz na Escola Municipal de 1°Grau Marcílio Dias, que apesar de pública tinha um ensino de alto nível. O curso de datilografia, era uma pré-condição para arrumar um bom emprego, e a turma fazia na Escola da Vanda, no Largo do ponto Imirim.
Das personalidades deste período, que residiam no bairro e por lá fizeram a diferença  para a comunidade, podemos citar a Dona Romilde, saudosa diretora do Marcílio Dias até hoje lembrada por quem lá estudou, e o famoso massagista Mário Américo, um dos grandes ícones da seleção brasileira, é o Sr Guido pela ativa participação na fundação da Vila Roque.

Se perguntarmos a qualquer antigo morador do bairro, quais os eventos tradicionais da região e  que marcaram suas vidas, certamente haverão de se lembrar das imperdíveis quermesses da São Roque e Colégio Meirelles, bem como, o tradicional desfile cívico de 7 de setembro na parte alta do Bairro em frente ao Colégio Consolata e Igreja de Fátima, com as impecáveis apresentações de fanfarras e bandas marciais dos colégios da região.

Enfim, há muitas histórias e causos para contar de um bairro que sobrevive ao tempo, sem perder sua essência, seus costumes, seus valores familiares, suas conversas de portão vizinho.

Claro que muita coisa mudou, mas sempre encontrará em cada residente do bairro, um certo orgulho Imirinense.

Nota: Esta é uma narrativa do autor Walmir Oliveira Mello, baseada em sua vivência no bairro desde a infância.
Mudou-se há 26 anos, mas suas raízes familiares ainda permanecem por lá.
Pode ter saído do Imirim...mas o Imirim nunca sairá de dentro dele.

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